FDD Telecom: ARPU, churn e infraestrutura
Os ângulos de uma Due Diligence Financeira sobre um operador de telecom: ARPU, churn, CapEx de rede e obrigações regulamentares.
Telecom é um setor de receitas recorrentes — portanto tentador de analisar como SaaS. Erro. A intensidade capitalista da rede e a regulação alteram toda a grelha de leitura.
ARPU: a métrica rainha
O Average Revenue Per User declina-se por segmento: B2C móvel, B2C fixo, B2B, IoT. Em FDD, olha-se para:
- A evolução mensal do ARPU ao longo de 24-36 meses.
- O mix promocional: um ARPU «de fachada» a 25 € pode esconder 30% de clientes em desconto temporário.
- O efeito das migrações tarifário → tarifário superior (upsell) vs descidas (downsell).
Uma degradação do ARPU de 1 € numa base de 1 M de clientes = 12 M€ de receita anual a menos. Linear e brutal.
Churn e aquisição
Como no e-commerce, é preciso reconstruir a unit economics:
- Churn mensal por coorte e por produto.
- SAC (Subscriber Acquisition Cost): comissões aos distribuidores + subsídio do terminal + marketing.
- Payback period: um ator móvel saudável tem < 18 meses.
Atenção aos subsídios de terminais capitalizados e amortizados: o seu tratamento contabilístico pode inflacionar artificialmente o EBITDA. A retratar.
CapEx de rede: manutenção vs implantação
Um operador que está a implementar a fibra ou o 5G tem um CapEx de crescimento massivo. Distinguir:
- CapEx de manutenção: manutenção da rede existente, ~5-8% do volume de negócios.
- CapEx de implantação: extensão geográfica, a excluir do cálculo do free cash flow normativo.
Esta ventilação é frequentemente difusa nas contas do vendedor — é um ponto central de discussão.
Obrigações regulamentares
A ARCEP impõe obrigações de cobertura, de QoS, de portabilidade. Um target pode ter compromissos não provisionados (implantação não cumprida = penalidades). Peça sistematicamente:
- O histórico das sanções e notificações.
- O estado dos compromissos de implantação vs realizado.
- As taxas de frequências a pagar.
Dívidas específicas do telecom
Para além da dívida financeira clássica, integrar na ponte EV/Equity:
- As taxas 5G/frequências devidas mas não pagas.
- Os compromissos IRU (Indefeasible Rights of Use) em fibra escura.
- As dívidas de leasing de equipamentos ativos (significativas pós-IFRS 16).
O datapack telecom é pesado — conte com 80 a 120 slides para um operador nacional mid-cap.
