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Despesas de I&D: tratamento em EBITDA e QoE

Como tratar as despesas de I&D na normalização do EBITDA em due diligence financeira: capitalização, recorrência e impacto na Quality of Earnings.

Publicado em 2 de abril de 2026· 3 min de leitura

As despesas de investigação e desenvolvimento são uma das rubricas mais sensíveis na normalização do EBITDA. O seu tratamento contabilístico é complexo, as opções de capitalização têm um impacto direto na rentabilidade apresentada, e a sua recorrência é por vezes difícil de avaliar.

Regras contabilísticas de base

Despesas de investigação vs despesas de desenvolvimento

Em IFRS (IAS 38), a distinção é fundamental:

  • Despesas de investigação: sempre registadas como gasto (nenhuma capitalização possível)
  • Despesas de desenvolvimento: capitalizáveis se 6 critérios cumulativos estiverem reunidos (viabilidade técnica, intenção de concluir, capacidade de utilizar/vender, geração de benefícios económicos futuros, disponibilidade dos recursos, capacidade de avaliar o custo)

Em normas francesas, as despesas de desenvolvimento são opcionalmente capitalizáveis.

Impacto no EBITDA

  • Um euro de despesas de desenvolvimento capitalizado não passa em gasto na demonstração de resultados no mesmo ano — será amortizado ao longo da duração de vida útil do projeto
  • Um euro de despesas de desenvolvimento registado como gasto reduz o EBITDA do mesmo ano

Uma sociedade que capitaliza agressivamente a sua I&D apresenta um EBITDA mais elevado do que uma sociedade idêntica que regista tudo como gasto.

Análise em due diligence financeira

Verificar a coerência da política de capitalização

O praticante de TS analisa:

  • A política de capitalização do target (critérios de decisão, limites)
  • A coerência desta política de um ano para o outro
  • A taxa de capitalização (% das despesas totais de I&D capitalizadas) — uma taxa crescente sem justificação é um sinal de alerta

Retratamento da capitalização

Para tornar o EBITDA comparável entre sociedades que capitalizam e as que não capitalizam, o praticante pode apresentar um EBITDA «full expensed» (como se toda a I&D tivesse sido registada como gasto):

EBITDA full expensed = EBITDA reportado – Despesas de desenvolvimento capitalizadas do exercício + Amortizações da I&D capitalizada

Recorrência das despesas de I&D

A I&D é estruturalmente necessária para a manutenção da posição concorrencial? Nos setores tecnológicos ou farmacêuticos, reduzir a I&D é uma estratégia de curto prazo perigosa. O praticante deve avaliar o nível mínimo de I&D recorrente.

Caso das startups e scale-ups

Para os targets com forte perfil tecnológico (SaaS, biotech, medtech), as despesas de I&D representam frequentemente 30-50% do volume de negócios. Podem ser em grande parte capitalizadas, criando um EBITDA artificialmente positivo enquanto a empresa queima cash. A análise tem de assentar no cash flow, não apenas no EBITDA.

I&D e valorização

Duas abordagens coexistem entre os adquirentes:

  • Valorização sobre EBITDA «full expensed»: mais conservadora, retrata a capitalização
  • Valorização sobre EBITDA reportado com ajustamento de CapEx: integra o CapEx de I&D no FCF

O praticante de TS apresenta as duas bases para permitir ao adquirente fazer a sua escolha.


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