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Contas a receber: análise em Due Diligence Financeira

Como analisar as contas a receber em FDD: DSO, provisões para depreciação, concentração e impacto no NWC normalizado.

Publicado em 15 de abril de 2026· 3 min de leitura

As contas a receber constituem frequentemente a maior rubrica do NWC. A sua análise em due diligence financeira revela não só riscos de provisão, mas também informações preciosas sobre a qualidade da relação comercial e as práticas de cobrança.

Estrutura da rubrica de contas a receber

A rubrica de contas a receber inclui:

  • As faturas ainda não vencidas (em curso normal de pagamento)
  • As faturas vencidas não liquidadas (atrasos de pagamento)
  • As notas de crédito a emitir (créditos negativos a deduzir)
  • As provisões para depreciação (contas a receber duvidosas)

A balança envelhecida (aging schedule) é o documento de referência para analisar estas contas.

O DSO (Days Sales Outstanding)

O DSO mede o prazo médio de pagamento dos clientes:

DSO = (Contas a receber líquidas / Volume de negócios c/ IVA) × 365

Um DSO em alta pode significar:

  • Um alargamento dos prazos de pagamento concedidos aos clientes (pressão comercial)
  • Dificuldades de cobrança (clientes em dificuldade)
  • Litígios comerciais não resolvidos
  • Uma inflação artificial do volume de negócios em fim de exercício (faturação antecipada)

Benchmark setorial

O DSO varia fortemente por setor: 15-30 dias no retail (pagamento a pronto), 60-90 dias no B2B industrial, por vezes 120+ dias nos mercados públicos. A análise deve ser sempre contextualizada.

Análise da balança envelhecida

A balança envelhecida é segmentada em escalões:

  • 0-30 dias (normal)
  • 30-60 dias (ligeiramente atrasado)
  • 60-90 dias (atraso significativo)
  • +90 dias (risco de perda, provisão recomendada)
  • +180 dias (forte probabilidade de incobrabilidade)

O praticante verifica que as provisões para depreciação são coerentes com a repartição da balança envelhecida e o histórico das perdas em contas a receber.

Provisões: suficientes ou subestimadas?

A taxa de provisão sobre contas a receber duvidosas é um indicador-chave. Em FDD, o praticante:

  1. Compara a taxa de provisão histórica com a taxa de perdas reais constatadas
  2. Identifica os clientes significativos em atraso não provisionados
  3. Avalia a probabilidade de cobrança das contas a receber antigas
  4. Propõe um ajustamento ao Net Debt se as provisões são insuficientes

Concentração de clientes e risco de carteira

Uma forte concentração das contas a receber em alguns grandes clientes amplifica o risco:

  • Se um cliente representa 20% do volume de negócios e está em atraso de pagamento de 90 dias, o impacto potencial é significativo
  • O praticante analisa a situação financeira dos clientes principais (informações públicas, Altares/Dun & Bradstreet)

Contas a receber e volume de negócios: coerência a verificar

Um cross-check essencial: a variação das contas a receber tem de ser coerente com a variação do volume de negócios. Se o volume de negócios cresce 10% mas as contas a receber 30%, existe uma anomalia para explicar (alargamento dos prazos, faturação em fim de exercício, cut-off).


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