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Os add-backs de EBITDA solicitados pela gestão

Como tratar os add-backs de EBITDA propostos pela gestão em Due Diligence Financeira: validação, contestação e impacto na valorização.

Publicado em 24 de abril de 2026· 3 min de leitura

Em Transaction Services, os add-backs de EBITDA são uma das zonas de negociação mais disputadas entre vendedores e compradores. A gestão do target propõe ajustamentos para maximizar o EBITDA normalizado — e, portanto, o preço de cessão. O papel da equipa de FDD é validar, questionar ou rejeitar cada proposta.

O que é um add-back da gestão?

Um add-back da gestão é uma reintegração de custo proposta pelo vendedor no cálculo do EBITDA normalizado. O argumento do vendedor: este custo é não recorrente ou não deveria pesar sobre a rentabilidade normalizada do negócio.

Exemplo: «Incorremos em 600 k€ de honorários de consultoria para um projeto de transformação digital que agora está concluído. Estes honorários não se repetirão.»

A abordagem de validação em missão

Perante cada add-back proposto, o analista de TS segue uma abordagem sistemática:

1. Verificar a natureza do custo

Solicite a fatura, o contrato, a nota de encomenda. O custo é realmente o que a gestão pretende que seja? «Honorários de consultoria» podem esconder subcontratação recorrente.

2. Testar a recorrência

Analise os últimos 3 a 5 exercícios. Este custo, ou um custo similar, apareceu nos anos anteriores? Em caso afirmativo, não é one-off — é um custo estrutural mal classificado.

3. Avaliar a credibilidade do argumento

Alguns add-backs são legítimos e facilmente defensáveis (honorários de transação, indemnização de despedimento isolada). Outros são discutíveis: «reorganização excecional» que volta a ocorrer todos os anos, «investimentos de crescimento» que se assemelham a custos correntes.

4. Quantificar o impacto na valorização

Se o múltiplo da transação é 7x e o add-back vale 500 k€, o impacto no preço é de 3,5 M€. Isto merece uma análise rigorosa.

Os add-backs mais frequentemente propostos

  • Remuneração do dirigente-acionista acima do mercado: parcialmente defensável, a normalizar com base numa remuneração de mercado.
  • Honorários de transação (honorários M&A, jurídicos): add-back aceite quase sistematicamente.
  • Custos de reestruturação: aceites se documentados e verdadeiramente pontuais.
  • Custos informáticos excecionais (migração, projeto pontual): a analisar caso a caso.
  • Custos relacionados com a Covid ou com um acontecimento excecional: frequentemente discutíveis consoante o período.

O que os recrutadores querem ouvir

Em entrevista, se lhe perguntarem «como trata um add-back da gestão?», a resposta esperada não é «valido-o se for não recorrente». A resposta esperada é:

  1. Peço os justificativos.
  2. Verifico a recorrência no histórico.
  3. Desafio a lógica económica.
  4. Quantifico o impacto e determino se o risco é material para a minha conclusão.

Um candidato que sabe desafiar a gestão de forma argumentada — sem ser agressivo — demonstra uma verdadeira maturidade TS.

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